Como migrar de sistema sem perder o Google
Por Lucas Mantovani, fundador da imooby · 22 de setembro de 2026 · 4 min de leitura

A parte difícil de trocar de sistema não são os imóveis. É o que acontece com os endereços deles.
Cada imóvel do seu site atual tem uma URL, e essa URL foi indexada pelo Google, compartilhada em WhatsApp, colada em anúncio de portal e talvez impressa numa placa. No sistema novo, o mesmo imóvel vai ter outro endereço. Se ninguém ligar um ao outro, todo link antigo passa a responder "página não encontrada" — e a posição que o seu site levou anos para construir volta à estaca zero.
Isso é evitável, e o trabalho é conhecido.
O que exatamente se perde
Quando uma URL indexada some, três coisas acontecem juntas:
A posição. O Google tira da busca o que não existe mais.
A autoridade. Todo link que apontava para aquele endereço deixa de valer alguma coisa.
A visita que já estava a caminho. Quem clicou no resultado, no anúncio ou na mensagem cai numa página de erro.
O terceiro é o que dói mais rápido e o mais fácil de esquecer: portal com anúncio antigo continua mandando gente para o endereço velho por meses.
Redirecionamento: a ponte entre os dois endereços
A ferramenta é o redirecionamento permanente — o navegador pede o endereço antigo e o servidor responde "esse conteúdo agora mora ali", levando a pessoa junto. Para o Google, é mais que cortesia: é a instrução de transferir para a URL nova o que a antiga construiu.
Duas regras que fazem a diferença entre funcionar e enganar:
Um para um. Cada imóvel antigo aponta para o imóvel correspondente. Mandar todas as URLs antigas para a home é o atalho preferido de quem está com pressa, e o Google trata isso como página removida: você mantém o visitante e perde a posição do mesmo jeito.
Permanente, não temporário. Redirecionamento temporário diz ao buscador "isto é provisório, continue indexando o endereço antigo". Sendo mudança de casa, é permanente.
O checklist da virada
Antes
Levante todas as URLs indexadas. O sitemap do site atual é o começo; o relatório de páginas do Search Console é mais honesto, porque mostra o que o Google realmente tem — inclusive endereços antigos que nem o sistema atual lista mais.
Confira o inventário. Todo imóvel no ar no site antigo precisa existir no novo. Numa das migrações que fizemos, três imóveis anunciados no site não constavam em nenhum dos arquivos de exportação: descobrimos comparando o site com a planilha, e não confiando na planilha. Eram quase R$ 30 milhões que teriam sumido na virada.
Guarde o código de cada imóvel. É ele que liga o cadastro antigo ao novo — e é por ele que a imobiliária procura no dia a dia, não pelo número interno do sistema.
Anote o id do anúncio nos portais. Trocar a URL sem atualizar o anúncio manda o clique do portal para o vazio.
Na virada
Suba o site novo com os redirecionamentos já cadastrados. Eles existem antes da mudança de DNS, não depois.
Publique o novo sitemap e aponte para ele no robots.txt.
Mantenha um endereço só: ou com www, ou sem. Servir o mesmo conteúdo nos dois divide a indexação.
Depois
No Search Console, envie o sitemap novo e acompanhe a cobertura por algumas semanas.
Acompanhe os erros 404: eles vão aparecer, e cada um é uma URL antiga que ficou de fora da lista.
Tenha paciência com o calendário. A reindexação leva semanas. Oscilação nos primeiros dias é normal; queda que não se recupera em um mês é sinal de redirecionamento faltando.
Quanto trabalho é isso, na real
Numa migração de 229 imóveis, foram 487 redirecionamentos — mais de dois por imóvel, porque o sistema antigo publicava a mesma ficha em mais de um formato de endereço. Nenhum deles foi escrito à mão: a lista saiu do sitemap do site antigo, cruzada com o código de cada imóvel.
É esse o ponto. Redirecionamento em massa é trabalho de máquina, e um sistema que se propõe a receber migração devia fazer isso sozinho. Se o fornecedor novo responde "manda a planilha que a gente importa" e não fala das URLs, ele está resolvendo o cadastro e deixando o Google por sua conta.
Sua imobiliária ainda junta site, CRM e portais na mão?
A imooby faz os três no mesmo lugar: site próprio no Google, lead caindo no WhatsApp e os imóveis indo pros portais sozinhos.
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